Oficina de Criatividade Musical Anticatacresofonia

Descrição:

As Oficinas de Criatividade Anticatacresofonia são uma proposta da Interferência para o desenvolvimento de capacidades criativas e interpretativas em grupo, tendo por base conceitos e técnicas musicais emergentes no século XX e XXI.  Estas Oficinas baseiam-se nos princípios do projecto Anticatacresofonia – Seminários Didáticos, estando aberto a toda a comunidade interessada em desenvolver competências ao nível da criação colaborativa, exploração sonora e conhecimento das abordagens musicais contemporâneas.

Estas Oficinas dividem-se em duas partes: 

A parte teórica consiste numa contextualização histórico-social, na exposição teórica e análise auditiva de obras de referência,, com o objetivo de demonstrar a variedade de inovações existentes na música do séc. XX. Esta passagem por várias abordagens musicais permite abrir espaço e mostrar possibilidades que serão exploradas na parte prática. No final, será entregue um guia de audição com as obras trabalhadas e outras que complementam o trabalho auditivo desenvolvido.

A parte prática será o momento de oficina: experimentar, escolher e desenvolver material musical, com vista à criação de uma obra final para ser apresentada em público. Nesta parte, o tipo de abordagem a realizar-se poderá ser a , composição de música para filmes, composição de peças electroacústicas, criação de partitura gráfica, exploração e experimentação sonora com base na recolha e análise de paisagens sonoras ou de sound painting. Esta escolha será realizada tendo em conta as vontades e necessidades dos participantes.

 

Objectivos:

– Contextualizar e aprofundar aspectos/temas da música contemporânea, tais como, a música electroacústica, a música minimal, a música espectral, a música experimental e a composição em tempo real; 

– Conhecer diferentes sonoridades e formas de interacção com a música; 

– Discutir os diferentes pontos de vista emergidos no séc. XX (criação musical, práticas musicais); 

– Cooperar para o desenvolvimento de uma autonomia na procura de estratégias interpretativas, técnicas, exploratórias e criativas; 

– Contribuir para uma maior compreensão da música contemporânea por parte dos seus intérpretes e ouvintes.

Tornar-se um músico e cidadão mais conhecedor, reflexivo e de mente-aberta às mudanças artísticas e artístico-sociais.

– Criação de uma obra final a ser apresentada em público

Destinatários:
Esta formação destina-se a todo o tipo de músicos, amadores ou profissionais com vontade de quebrar barreiras e navegar por horizontes desconhecidos.

*Nota: Curso com periodicidade quinzenal.

Conteúdo Programático

Consistirá numa contextualização, audição, exposição teórica e analítica de obras basilares dos últimos 120 anos, com o objetivo de demonstrar a variedade de inovações existentes na músicas do séc.XX, passando por várias abordagens importantes para a execução na segunda parte (parte prática). Estas sessões iniciais pretendem expor os participantes a sonoridades e perspectivas criativas criando pontes entre a composição musical e os parâmetros musicais basilares. 

Seguem-se alguns exemplos do plano de escuta:

1. “Ionisation”, E. Varèse / “Ballet Mechanique”, G. Antheil – (Parâmetros em foco: “Ritmo”)

2. “Sonatas and Interludes for prepared piano”, J. Cage – (Parâmetro em foco: “Timbre”)

3. “Quattro pezzi per Orchestra”, G. Scelsi / “Ricercata” n.o 2, G. Ligeti – (Parâmetro em foco: exploração de recursos limitados, textura, timbre, ritmo)

4. “Gesang der junglinge”, K. Stockhausen / “Libera me”, C. Capdeville – (Parâmetro em foco: som real como música)

5. “Rainbow in curved air”, T. Riley / “Ricercata” n.o 7, G. Ligeti – (Parâmetro em foco: ostinato, ciclo, repetição, textura)

6. “Threnody to the Victims of Hiroshima”, K. Penderecki / “Atmosphéres”, G. Ligeti – (Parâmetro em foco: textura, timbre, técnicas estendidas, a eletroacústica na orquestra)

7. “Aglepta”, A. Mellnäs / “R3P”, R. Penha – (Parâmetro em foco: improvisação controlada escrita)

8. “Soundpainting”, W. Thompson / “Cobra”, J. Zorn – (Parâmetro em foco: improvisação controlada e interação (dança, teatro e música))

A sessão prática explorará parâmetros musicais surgidos no séc. XX através da improvisação, interpretação, contacto com a música electroacústica, escrita musical gráfica, entre outros. Resultará desta segunda parte uma obra feita exclusivamente pelos alunos. Após as primeiras sessões de improvisação e exploração sonora, o grupo escolherá um dos projectos-tipo para executar até ao fim do curso –  o número de projectos a serem executados poderá variar consoante a disponibilidade e dimensão do grupo de trabalho. 

Seguem-se as propostas de projecto prático: 

Vivemos num quotidiano onde impera a ausência de silêncio, onde existe uma abundância de sons aos quais não lhes damos importância musical. Este paradigma surge no séc. XX, aquando da evolução mecânica e tecnológica. O trabalho proposto visa sensibilizar a comunidade musical para uma realidade que, apesar de vivermos envoltos nela, nos passa despercebida.

Competências a Desenvolver
Pretende-se que, com esta actividade, o participante  adquira: 

  • Competências básicas no funcionamento e manuseamento de programas de edição de áudio;
  • Aprendizagem na manipulação sonora;
  • Noções iniciantes sobre técnicas e pensamentos composicionais.
  • Consciencialização da diversidade sonora existente no quotidiano e suas propriedades musicais;

 

Ao longo de toda a história, a Música desempenhou diversas funções sociais e artísticas, desde a Grécia Antiga, em que era uma arte subjacente ao Teatro, à Idade Média e Renascimento, quando a música sacra ou profana, maioritariamente vocal ou instrumental, respectivamente, eram tidas como separadas e estanques. Desde o Barroco, com o surgimento da ópera e um novo relevo à música instrumental, ou ao final do Classicismo e início do Romantismo, tendo a música começado a ganhar um grau de autonomia artística do qual nunca antes havia gozado. Eis que, no final do séc. XIX, início do séc. XX, surge uma nova forma de Arte que viria a necessitar da música de forma significativa ou até estructural: o Cinema!

Neste seminário, iremos compor (e tocar) obras a partir da análise e interpretação de filmes dos primórdios do cinema, desde os primeiros filmes com narrativa, personagens e efeitos especiais, ao cinema experimental e abstracto, com o objectivo de desenvolver e explorar diversas concepções musicais.

Objectivos do projecto

  • Encontrar paralelismos conceptuais entre a música e o cinema.;

 

Competências a Desenvolver

Pretende-se que, com esta actividade, o participante adquira:

  • Compreensão e desenvolvimento do pensamento criativo em relação aos conceitos de ritmo, forma, gesto, desenvolvimento motívico, timbre, textura e tensão/relaxamento;
  • Consciência do potencial expressivo da manipulação informada de certos parâmetros sonoros e musicais;
  • Compreender a importância e os efeitos da música na interpretação e percepção da imagem (e vice-versa)
  • Compreender as fronteiras entre sonorização, mickey mousing, banda sonora e música a partir da imagem;
  • Noções iniciantes sobre técnicas e pensamentos composicionais;
  • Competências e ferramentas para interpretação de obras musicais como um todo, com lógica interna e coerência;
  • Competências em tocar e trabalhar em grupo.

Nesta sessão, pretende-se trabalhar processos composicionais baseados na improvisação musical, com base em objectos/gestos musicais recolhidos da paisagem sonora circundante do local de trabalho. 

Após um processo de “brainstorming improvisacional”, serão discutidas as possibilidades de organização de uma obra/performance musical e postas em prática de forma a programar uma performance mais ou menos determinada. Os participantes serão encaminhados a desenvolver a sua relação com o instrumento através da exploração de técnicas estendidas, procurando ao mesmo tempo o seu espaço individual na amálgama sonora, resultante da fusão dos diversos intervenientes. Desta junção de esforços resultará um trabalho com base em processos de criação colaborativa, com o qual se pretende desenvolver capacidades de comunicação e trabalho em conjunto.

 

Competências a Desenvolver

Pretende-se que, com esta actividade, o participante adquira:

  • Desenvolvimento da expressão musical através do instrumento;
  • Capacidades de descodificação e filtragem aural;
  • Ferramentas de gestão de ideias e de trabalho em equipa;
  • Noções iniciantes sobre técnicas e pensamentos composicionais;

Pretende-se trabalhar os vários parâmetros musicais (timbre, ritmo, harmonia, etc.), individualmente, de forma a criar um pensamento independente sobre cada aspecto da Música. Através das técnicas já existentes, procurar encadear estas novas perspectivas, de uma forma prolongada no tempo, e produzir um resultado consciente de cada elemento e do seu processo de criação.

Competências a Desenvolver
Pretende-se que, com esta actividade, o aluno adquira:

  • Um olhar diferente sobre “atmosferas” sonoras;
  • Capacidade de criar construções musicais complexas, de cariz minimal;
  • Compreensão  dos diferentes parâmetros sonoros;
  • Aquisição das várias técnicas composicionais de variação, tais como: Adição e subtracção; aumentação e diminuição; transformação melódica; desfasamento rítmico; polirritmia


Formador:

Manuel Brásio: Formado em Contrabaixo (5º grau) e Percussão (8º grau) pela Escola Profissional de Música de Viana do Castelo. Licenciado em Composição na ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo; Mestre em Multimédia: Música Interactiva e Design de Som pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; Professor; Compositor e Sound Designer para Concerto, Teatro, Dança, Cinema e Videojogos; Baterista e Percussionista freelancer; Sócio sobrevivente da AISCA e sócio fundador da Interferência, colabora ainda no projecto FabLab Porto de João Barros. Recentemente, fez sound design e música para “Os Estrangeiros” um documentário de Rita Al Cunha com produção da AO NORTE Cineclube Viana; colabora frequentemente com o Teatro Regional da Serra do Montemuro; escreveu “Bom dia Sophia” para oboé solo, uma encomenda da RTP/ANTENA2 para o Prémio Jovens Músicos 2018; e integrou a equipa da Digitópia Casa da Música. Foi ainda director artístico, compositor e interprete de SUPRAHUMAN espectáculo da Interferência em digressão em 2019 com o apoio da DGARTES, Centro Nacional de Cultura, IPDJ e Antena 2..Manuel Brásio: Formado 

Inscrição, Vagas, Preços e Pagamentos


A inscrição estará concluida quando realizares: 

– Preenchimento do formulário online (“marcação fora de horas” e tentaremos encontrar um horário compatível) 

– Envio do comprovativo geral@interferencia.pt indicando o nome, curso e modalidade de prestação

Exemplo: ASSUNTO [ José Alves / Composição + Electrónica / segunda prestação ]

Min: 4
Max: 15

Prestação Única: 200€
Duas prestações – 110€ + 110€

*os alunos inscritos só serão admitidos após o pagamento de, pelo menos, uma prestação.

A transferência deve ser feita para o NIB: 003601519910006524312

–  5% para sócios Interferência
– 10% por cursos extra
– 10% na inscrição simultânea de 4 participantes (deve ser preenchido no local indicado no formulário)


Em caso de dúvida envie email para geral@interferencia.pt